sábado, 18 de junho de 2011

3º ano - aula 4 - Prion

                                             Tecido cerebral com aspecto espongiforme



Príons são partículas proteicas responsáveis por diversas atividades, como amadurecimento dos neurônios.

Entretanto, podem se tornar patogênicas, causando doenças crônicas e degenerativas do sistema nervoso central,

deixando tais regiões com aspecto de esponja, ao serem observadas ao microscópio.

A transmissão pode se dar de forma infecciosa ou hereditária;

Não provocando respostas imunitárias ou inflamatórias no indivíduo acometido.

A encefalopatia espongiforme bovina, ou mal da vaca louca, é uma doença priônica que afeta bovinos.

De evolução bastante rápida após o surgimento dos sintomas, estes animais geralmente não resistem mais do que seis meses.

Dificuldade de locomoção e nervosismo são as principais manifestações observáveis.

Uma doença causada por príons cujos sintomas são semelhantes ao mal da vaca louca

e que acomete indivíduos da nossa espécie chama-se doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ).

Esta, transmitida por meio de transfusões de sangue, contato com instrumentos cirúrgicos contaminados,

herança genética ou de surgimento esporádico; causa dificuldades de locomoção e demência progressiva,

sendo muitas vezes confundida com a demência senil ou Alzheimer.

Sua incidência anual é de um caso a cada dois milhões de pessoas e, geralmente, leva o indivíduo a óbito em menos de um ano após o surgimento dos sintomas.

A nova variante da doença de Creutzfeldt-Jakob, ou vDCJ, está relacionada ao consumo de carne bovina ou seus derivados contaminados pela encefalopatia espongiforme.

Até o presente momento, nenhuma destas doenças é detectável em fase precoce e,

após o surgimento dos sintomas, o que se pode verificar são as alterações na região do sistema nervoso central.

por meio de ressonância magnética e tomografia computadorizada, mas que são semelhantes a outras doenças neurológicas degenerativas.

Assim, somente analisando o material cerebral ao microscópio, após o óbito, é que pode ser feito o diagnóstico confirmatório.

Como as doenças priônicas são incuráveis, o tratamento visa retardar e controlar os sintomas.



                                                                               Prion

3º ano - aula 3 - Vírus

Há cinco reinos de seres vivos.

Todos os organismos vivos da Terra são classificados nesses cinco reinos.

Os vírus não são constituídos por células, embora dependam delas para a sua multiplicação.

Ou seja, vírus são os únicos organismos acelulares da Terra.

Por isso, e por estarem no limite entre o vivo e o não vivo

Os vírus não são classificados em nenhum reino.

Eu, particularmente, chamo o vírus de "rei que não tem reino".


Rabdovírus: grupo de vírus com grande tamanho, em forma de ogiva, onde inclui-se o vírus da raiva.

Adenovírus: um grupo de vírus que infectam as membranas (forros de tecido) do trato respiratório, os olhos, os intestinos e do trato urinário

São responsáveis ​​por cerca de 10% das infecções respiratórias agudas em crianças e são uma causa freqüente de diarreia

Os vírus são seres diminutos, medindo cerca de 0,1µm de diâmetro.

Com dimensões apenas observáveis ao microscópio eletrônico.

O micrómetro, cujo símbolo é μm, consiste numa unidade da grandeza física de comprimento.

É um submúltiplo do metro.

No sistema internacional de unidades (SI), o comprimento vem expresso em metros

pelo que para converter micrómetros em metros é necessário reduzir micrómetros a metros, isto é,

1 μm = 10-6 m.

Todos os vírus são constituídos por ácido nucleico, que pode ser o DNA ou o RNA,

Envolvido por um invólucro proteico denominado capsídeo,

Que além de proteger o material genético, combina-se quimicamente com receptores das membranas das células parasitadas.

Esses seres não possuem organelas que desempenhem a complexa síntese bioquímica.

Somente exprimem atividades vitais, como reprodução e propagação, no interior de uma célula hospedeira.

Portanto, são considerados parasitas intracelulares obrigatórios.

Quando a relação parasitária se estabelece, o material genético virótico assume o comando da célula,

Voltando quase que exclusivamente o metabolismo celular para originar centenas de novos vírus em questão de minutos.

Alguns são classificados como envelopados, possuindo um envelope lipoproteico procedente da membrana da célula hospedeira.

Nessa classificação, enquadra-se com destaque o vírus da Imunodeficiência Humana -HIV.


                                                                             HIV

Geralmente, o termo vírus é utilizado no processo de instalação e infecção em organismos eucariontes. 

Cuja célula eucariótica possue material genético envolvido por membrana nuclear - a carioteca.

Enquanto o termo bacteriófago, é designado aos vírus que se instalam em procariontes. 

Organismos cuja célula procariótica não possue membrana nuclear envolvendo o material genético.

São as bactérias e cianobactérias.

Atualmente foram identificadas aproximadamente 3.600 espécies de vírus

Que podem infectar bactérias, plantas e animais, bem como se instalar e causar doenças ao homem.

Cada doença tem particularidades quanto ao modo de transmissão, características da infecção e medidas profiláticas.

As doenças viróticas que mais acometem o organismo humano são as seguintes:

Gripe, Catapora ou Varicela, Caxumba, Dengue, Febre Amarela, Hepatite, Rubéola, Sarampo, Varíola, Herpes simples e Raiva.

A palavra vírus vem do latim vírus que significa fluído venenoso ou toxina.

O termo vírus de computador nasceu por analogia.

A palavra vírion ou víron é usada para se referir a uma única partícula viral que estiver fora da célula hospedeira.

3º ano - aula 2 - Taxonomia

Taxonomia é a ciência que classifica os seres vivos.

Ela estabelece critérios para classificar todos os seres vivos sobre a Terra em grupos

De acordo com as características fisiológicas, evolutivas, anatômicas de cada ser vivo ou grupo de seres vivos.

No século XVII surge o conceito de espécie introduzido pelo naturalista John Ray (considerado o pai da história natural inglesa).

No século seguinte, os seres vivos começam a ser classificados de acordo com sua história evolutiva e desenvolvimento embriológico.

Até que, em 1735, Carl Von Linné (1707-1778), mais conhecido como Lineu, 

Publica Systema Naturae onde trata dos reinos animal, vegetal e mineral agrupando os seres vivos em classes, ordens, gêneros e espécies.

A partir daí passou-se a usar o sistema binominal - gênero e espécie - criado por Lineu para classificar as diferentes espécies de seres vivos.

A obra de Lineu foi mais tarde republicada em dois volumes (1758-1759)

A classificação binominal foi consolidada e vários dos termos utilizados por Lineu,

como flora e fauna são usados até hoje, motivos pelos quais Lineu é considerado o pai da taxonomia moderna.

A taxonomia se divide em dois grandes ramos.

Um deles, a Sistemática, trabalha com a divisão dos seres vivos em grupos de acordos com suas semelhanças;

e a Nomenclatura, trabalha na definição de normas universais para a classificação dos seres vivos

com o intuito de facilitar o estudo das espécies ao utilizar uma denominação universal.

Hoje, os táxons, as categorias taxonômicas propostas por Lineu, ainda são mantidas

E foram acrescentados mais dois: o filo e a família.

A sequência de táxons ficou assim:

Reino, Filo, Classe, Ordem, Família, Gênero e Espécie.

A espécie é a unidade taxonômica fundamental e agrupa seres vivos que possuem

as mesmas características cromossômicas (n.º de cromossomos), anatomia semelhante, fisiologia e

desenvolvimento embrionário idênticos entre si, além de um critério fundamental:

o cruzamento de seres da mesma espécie deve originar um novo ser vivo fértil.

O exemplo mais comum para se ilustrar o que é uma espécie é o cruzamento entre um jumento e uma égua.

Ambos, aparentemente preenchem todas as características acima e poderiam ser da mesma espécie,

entretanto de seu cruzamento nasce o burro (ou a mula) que é um animal infértil e, portanto,

o jumento e a égua não podem ser considerados como sendo da mesma espécie.

Espécies que apresentam algumas características comuns são agrupadas em gêneros

Os gêneros, por sua vez são agrupados em famílias.

Várias famílias formam uma ordem.

Claro que conforme se avança na classificação das espécies em sentido crescente

 (espécie à gênero à família…) a diversidade vai aumentando e as diferenças entre os seres também.

Várias ordens de seres vivos com características predominantes semelhantes podem ser agrupados em classes.

Um exemplo é a classe dos insetos que agrupa animais como as abelhas, as baratas e as moscas, todas de espécies diferentes.

As classes, por sua vez, fazem parte dos filos (às vezes sub filos)

Os filos, são agrupados em reinos que são a classificação mais genérica dos seres vivos.

Exemplo


Observe que a partir do reino vai se tornando cada vez mais escasso o número de seres vivos no mesmo táxon, até chegar a espécie.


Homologia e Analogia

Os órgãos que apresentam a mesma origem embrionária são chamados de órgãos homólogos.

Exemplo:

- membros dos vertebrados tetrápodos: braços do homem, asas da ave, nadadeiras da baleia, etc.

No decorrer da evolução biológica, os membros de cada ser vivo foram se adaptando

conforme as suas funções e o meio em que vivem, por isso sofreram muitas transformações.

Este processo denomina-se irradiação adaptativa.


Orgãos homólogos


Os órgãos que apresentam a mesma função são chamados de órgãos análogos.

Exemplo:

- as asas dos insetos e das aves, ambas têm a mesma função: proporcionar o vôo.

Esses órgãos apresentam origens embrionárias diferentes,

porém são análogos por apresentarem a mesma função,

pois vivem num mesmo habitat e se adaptaram a ele.

Este processo de adaptação é chamado convergência adaptativa.




Nomenclatura dos seres vivos

Se você consultar um dicionário verificará que o fruto conhecido como ABÓBORA

Também pode ser chamado de jerimum, jerimu, jurumum, zapolo e zapolito-de-tronco.

É provável que você não conheça todos esses nomes.

Se em uma única língua de um único País existem tantos nomes para um mesmo organismo,

calcule, então, como seria confuso se considerarmos todas as línguas e dialetos que existem no mundo!

Para facilitar a comunicação entre pessoas de diferentes nacionalidades, que falam diferentes idiomas,

e entre pessoas de diferentes regiões geográficas de um mesmo país,

São utilizados nomes científicos para designar as várias espécies de seres vivos.

O sistema atual de nomenclatura segue proposta de Lineu:

é binomial, isto é, composto por dois nomes escritos em latim, ou latinizados;

o primeiro nome refere-se ao gênero e deve ter a inicial com letra maiúscula,

Exemplo: Canis


o segundo nome é o epíteto específico e deve ser escrito com inicial minúscula,

Exemplo: familiaris


Os dois juntos formam o nome da espécie, 

Exemplo:

Canis familiaris, que é o cão doméstico.


Os nomes científicos devem ter grafia diferenciada no texto.

Se este for manuscrito, deve-se passar um único traço embaixo do nome.

Se for impresso pode-se, por exemplo, deixar a letra em itálico.

                                                             Observe o exemplo abaixo
                                                      

3º ano - aula 1 - Biodiversidade




A formação da palavra biodiversidade se dá pela união do radical

Bio = vida e da palavra

diversidade = variedade, 

por isso conclui-se que biodiversidade significa ‘variedade de vida’.

A biodiversidade reúne toda a variedade de vida, desde microrganismos até animais e plantas.

É o conjunto de espécies que estabelece uma inter-relação na qual cada ser, por mais simples que seja, tem uma função fundamental na composição do ecossistema.

A biodiversidade funciona como uma máquina, em que animais, vegetais e os seres vivos em geral são suas engrenagens.

Por exemplo, se uma espécie de vegetal for comprometida, poderá ocasionar a extinção daquele animal que o tem como base de sua dieta.

Esse animal que se extinguiu, por sua vez, possuía uma função na cadeia alimentar ou na própria natureza.

A preservação da natureza e da diversidade garante a proliferação da vida.

As indústrias têm focalizado sua atenção às florestas,

para conhecer espécies que podem ser utilizadas como matéria-prima na produção de medicamentos e cosméticos,

mas não pensam que essa exploração pode alterar ou impactar as áreas de possível extração.

O homem com sua capacidade de pensar, gerar riquezas e desenvolver tecnologias, cria várias coisas,

mas não consegue (ou não quer) recriar o habitat que ele mesmo danificou.

Estudos revelam que nos próximos 25 anos, de duas a sete espécies em cada 100 vão se extinguir. 

É importante saber que cada planta extinta ocasiona a perda de 30 espécies de animais e insetos que dela dependem.

Eduardo de Freitas
Graduado em Geografia
Equipe Brasil Escola

Segundo cientistas taxonimistas, existem, aproximadamente, 1 milhão e 500 mil espécies descritas.

Porém, calcula-se que haja entre 5 a 30 milhões de espécies

Pois muitos ambientes ricos em fauna e flora ainda não foram explorados.

Além do mundo dos microrganismos.

Exemplos desses ambientes inexplorados:

Copas das árvores de florestas tropicais

Fundo dos mares e oceanos

Recifes de corais

Milhares de microrganismos que infestam plantas e animais.





A ideia da diversidade das espécies surgiu com a junção da Taxonomia e da Biogeografia. 


A primeira, é uma ciência que se ocupa do estudo, descrição e classificação de novas espécies, a Taxonomia.

A segunda, se ocupa da localização geográfica da ocorrência das espécies

Na verdade, antes da taxonomia surgir como ciência, haviam os estudiosos que eram chamados de “naturalistas”.

Dentre eles estavam, inclusive, alguns filósofos como Aristóteles e Plínio.

Mas, foi só à partir do século XVIII,

Quando Lineu criou um sistema de classificação de espécies,

Que formaria a base do sistema atual,

Que o estudo das espécies começou a se tornar  um ramo distinto das outras ciências trazendo a ideia

Da diversidade da vida no planeta.

Ou, biodiversidade.

sábado, 11 de junho de 2011

DIA DOS NAMORADOS - Às minhas inesquecíveis alunas e ex-alunas

Feliz Dia dos Namorados

Nesse dia

Beije

Mas beije muito

Porque beijar é ótimo!

Troque carícias mil com seu namorado

Porque namorar é ótimo!

Faz bem pra adolescência

Faz bem pra vida!

Eu só acho que você não deve dar de presente no dia dos namorados

É só uma opinião

Você é quem decide

Mas, se depois do que lhe expliquei em sala de aula

Se mesmo assim

Você quiser dar de presente no dia dos namorados

Por favor

Em nome da VIDA

FAÇA ele usar camisinha!


Às minhas inesquecíveis alunas, às minhas inesquecíveis ex-alunas

(e aos alunos e ex-alunos também)

UM FELIZ, E SAUDÁVEL, DIA DOS NAMORADOS!

domingo, 5 de junho de 2011

DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE

Pesquisas confirmam o aumento da temperatura média do Planeta.

O aquecimento global é uma consequência das alterações climáticas ocorridas por causa do aumento da emissão dos gases de efeito estufa.

O aumento da temperatura que já foi registrado em quase 1 grau Celsius (ºC), pode parecer insignificante, mas é suficiente para modificar todo clima de uma região e afetar profundamente a biodiversidade, provocando desastres ambientais.

O mundo acompanha, pelos meios de comunicação, as catástrofes provocadas por desastres naturais e as alterações que estão ocorrendo, rapidamente, no clima global.

Nunca se viu mudanças tão rápidas e com efeitos devastadores como têm ocorrido nos últimos anos.

A comparação com o corpo humano pode dar uma idéia das consequências do aumento de temperatura para o clima global.

Basta imaginar um aumento de 2 ºC na temperatura corporal de uma pessoa.

Essa elevação provoca várias alterações no funcionamento do organismo.

Os batimentos cardíacos ficam mais lentos e a transpiração aumenta.

Se houver elevação de 5 ºC, a situação se torna grave, podendo até provocar convulsões.

Ao se comparar o estado febril de uma pessoa com o aquecimento do planeta, acontece algo semelhante.


Segundo cientistas, se a temperatura do planeta aumenta em 2 ºC, as chuvas e secas já se alteram.

Com uma elevação de 5 ºC, o clima da Terra entraria em colapso, afetando fortemente a agricultura e a pecuária.

Em boa parte das zonas tropicais, o aumento da temperatura em níveis mais altos inundaria cidades litorâneas e provocaria a formação de furacões de maneira mais frequente, em quase todos os oceanos, inclusive no Atlântico Sul.

De acordo com a professora de geologia da Universidade Federal da Bahia Zelinda Leão, mais de 50% dos corais estão ameaçados com a elevação das águas do oceano.

Zelinda diz que o que se tem observado no mundo é que as anomalias térmicas de 2 ºC, por mais de uma semana, têm provocado branqueamento dos corais.

Esses branqueamentos sucessivos, principalmente, nos últimos 20, 30 anos têm causado mortalidade em massa de corais no mundo.

O glaciologista e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul Jefferson Cardía Simões diz que os fóruns climáticos confirmam que a temperatura média da atmosfera terrestre continua aumentando, causando descongelamento das geleiras.

 “O que se sabe, hoje, é que as geleiras pequenas, exatamente aquelas que respondem mais rapidamente às mudanças climáticas, tendem a se retrair ou mesmo, a desaparecer nas próximas décadas”, afirma.

DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE

Meio ambiente: o planeta resolveu dar o troco


05/06/2011 -


Hoje é Dia Mundial do Meio Ambiente. E a humanidade enfrenta uma das piores crises ambientais de sua história, sob risco de entrar em colapso com o esgotamento e a degradação dos recursos naturais. Os países da periferia levam a culpa pelo desequilíbrio ecológico mundial e são criticados pelo modelo de desenvolvimento que adotam, agressivo ao meio ambiente. O julgamento parte das nações ricas, as quais, por mais de dois séculos, destruíram seus patrimônios naturais e continuam poluindo. As elites dos países periféricos clamam, por sua vez, pelo direito de também poluir, a fim de poder alcançar o nível de consumo das sociedades desenvolvidas.
Já escrevi isto aqui antes, mas a efeméride vale a retomada. Em meio a essa discussão, o quadro não poderia ser pior. Dentro de algumas décadas, não haverá água potável suficiente para suprir as necessidades de dois terços da população mundial – regiões metropolitanas já vivem crises de abastecimento. O efeito estufa está aumentando a temperatura global e provocando mudanças climáticas, enquanto a desertificação de áreas cultiváveis compromete a produção de alimentos. Uma nuvem de poluição paira sobre o Sudeste Asiático, levando crianças e idosos aos hospitais diariamente. 
Demorou, mas o planeta começa a dar o troco. Bem-feito.
Um marco importante para a percepção de que o mundo caminhava no sentido errado surgiu na Conferência das Nações Unidas, em Estocolmo, em junho de 1972, da qual resultou a Declaração do Meio Ambiente. Ela proclama que “a proteção e a melhora do meio ambiente são questões fundamentais, que afetam o bem-estar dos povos e o desenvolvimento econômico do mundo”, e por isso constituem um anseio das sociedades e um dever dos governos. Seus 26 princípios fundamentais influenciaram várias Constituições, inclusive a brasileira de 1988, em seu artigo 225.
Um ano após a conferência, criou-se a Secretaria Especial do Meio Ambiente (Sema), ligada ao Ministério do Interior, para orientar a conservação e o uso racional dos recursos naturais. Em 1981, foi estabelecida a Política Nacional do Meio Ambiente, que indicava as ações do poder público na preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental, compatibilizando-as com o desenvolvimento econômico e social. Com ela e com a posterior implementação do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), as responsabilidades governamentais e os deveres da sociedade civil tornaram-se mais claros.
No início dos anos 70, começam as primeiras ações ambientalistas, ainda que de forma pontual. Os protestos de trabalhadores de uma fábrica de cimento em Perus, bairro paulistano, contra a poluição, e os desfiles em São Paulo do artista plástico espanhol Emilio Miguel Abellá, usando máscara contra gás, são alguns exemplos. A atuação das universidades fez surgir uma consciência crítica no país: parte dos formados voltava-se às pesquisas. Os demais seguiam para pôr em prática a teoria.
Com a anistia, em 1979, exilados políticos puderam retornar ao Brasil, trazendo consigo a vanguarda do debate ecológico europeu. O fim da ditadura e o processo de democratização possibilitaram um aumento na quantidade de informações disponíveis, atingindo um público que antes desconhecia o problema.
Nos anos que antecederam a Conferência Internacional das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Eco 92, no Rio de Janeiro, o trabalho de defesa do meio passou a contar com uma visão mais integrada e profissional para enfrentar os novos tempos. Surgiram organizações não-governamentais, como a Fundação SOS Mata Atlântica, e chegaram ao Brasil entidades internacionais. Biodiversidade, conservação, meio ambiente começavam a deixar de ser coisas de “bicho-grilo” e passavam a integrar as preocupações da classe média.
A Eco 92 reafirmou Estocolmo, acrescentando o desenvolvimento sustentável como um dos princípios fundamentais. Deixou claro que o crescimento deve ser feito de forma a garantir a qualidade de vida às gerações presentes e futuras. E que os países são soberanos para escolher o melhor caminho para explorar seus recursos naturais, tendo o cuidado de não causar danos a outros Estados. A mensagem de que é possível crescer em comunhão com o meio foi clara, mas fraca. Como a ONU não possui força afirmativa real para pôr em prática os princípios da Declaração do Rio de Janeiro, o apelo caiu por terra uma década depois. Até porque os maiores poluidores, como os Estados Unidos, Japão e parte da Europa, não acenaram com mudanças no seu modelo de desenvolvimento.
O exemplo mais crítico da posição adotada pelas nações ricas foi dado pelos Estados Unidos, que se negaram a assinar o Protocolo de Kyoto, que visa à redução gradativa da emissão de gases que provocam o efeito estufa, alegando possíveis prejuízos às suas indústrias. Com isso, o então presidente George W. Bush abraçou o terrorismo que tanto criticava, ameaçando a vida das gerações futuras em troca da manutenção do estilo de vida norte-americano.
Apesar de ser reconhecido internacionalmente por bons projetos de desenvolvimento sustentável, o Brasil passa por vexames como o assassinato do seringueiro e líder sindicalista Chico Mendes, em 1988, por defender a preservação da floresta em Xapuri, no Acre. Mas também Dorothy Stang e tantos outros que foram tombando pelo caminho.
Nas discussões sobre meio ambiente ainda não se leva em consideração a integração entre homem e natureza. Mesmo que a criação de reservas esteja contribuindo para a preservação da fauna e da flora, estamos longe de garantir meios de sobrevivência às populações que dependem desses ecossistemas. A pobreza e a falta de perspectivas ainda levam muitas pessoas a dilapidar o patrimônio natural em busca de sustento para seus filhos, através da captura de animais silvestres no Pantanal Mato-Grossense, da coleta de palmito na Mata Atlântica ou da produção agropecuária na Amazônia.
O país possui uma das mais modernas legislações ambientais do mundo, a Lei de Crimes Ambientais, de 1998, que estipula multas de alto valor e até prisão em caso de agressão ao meio. O problema é que muitas vezes a lei é deixada de lado ou é mal aplicada por incompetência ou conivência com os infratores. Há, por exemplo, denúncias de estudos e relatórios de impacto que teriam sido comprados para facilitar a aprovação de obras pelos órgãos responsáveis. Além disso, mesmo com os avanços ao longo dos anos, entre eles a criação de um ministério dedicado apenas ao meio ambiente, o governo continua a apresentar uma contradição entre ação e discurso. De um lado, brada-se pela preservação da Amazônia, de outro financiam-se projetos que desmatam a floresta ou há relaxamento nas exigências quando existe a possibilidade de investimento estrangeiro.
Isso quando o próprio Congresso não joga as coisas boas para o ralo, como está fazendo com o Código Florestal. 
O que mostra que preferimos evoluir da barbárie para a decadência, sem passar pela civilização.
O debate sobre o meio ambiente emerge no século 21 como uma discussão sobre a qualidade de vida, não tratando apenas de rios poluídos e derramamento de petróleo, mas também da atual idéia de progresso – alta tecnologia aliada a uma postura consumista -, que não está conseguindo dar respostas satisfatórias à sociedade. De forma preventiva ou paliativa, haverá uma mudança no comportamento da sociedade. Faz parte dessa discussão a busca por modelos alternativos de desenvolvimento humano.
Que só serão efetivos caso não excluam a população dos benefícios trazidos pela exploração atual e futura dos recursos naturais do planeta. Ou seja feita às custas desta.


Do blog do Sakamoto
Leonardo Sakamoto é jornalista e doutor em Ciência Política. Cobriu conflitos armados e o desrespeito aos direitos humanos em Timor Leste, Angola e no Paquistão. Já foi professor de jornalismo na USP e, hoje, ministra aulas na pós-graduação da PUC-SP. Trabalhou em diversos veículos de comunicação, cobrindo os problemas sociais brasileiros. É coordenador da ONG Repórter Brasil e seu representante na Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo.